| |
 |
|
|
|
A Escolha da Profissão
|
|
A Escolha da Profissão
* por Tom Coelho
“Antigamente publicitário era aquele que tinha largado o curso de jornalismo.
Hoje, publicitário é o cara que largou o curso de publicidade.”
(Eugênio Mohallem)
Uma análise do Censo de 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) feita pelo Observatório Universitário indicou a correlação entre a profissão exercida e o curso superior realizado pelos profissionais. Enquanto 70% dos dentistas, 75% dos médicos e 84% dos enfermeiros trabalham na mesma área em que se formaram, apenas 10% dos economistas e biólogos e 1% dos geógrafos segue pelo mesmo caminho.
Exame atento de outras profissões ainda nos indicará que apenas um em cada quatro publicitários, um em cada três engenheiros e um em cada dois administradores faz carreira a partir do título que escolheu e perseguiu.
É evidente que faltam vagas no mercado de trabalho. O emprego formal acabou. Nas décadas de 1960 e 1970 o paradigma apontava como colocação dos sonhos um cargo no Banco do Brasil, na Petrobras ou em outra empresa pública. Nos anos de 1980 experimentamos o boom das multinacionais e empresas de consultoria e auditoria que recrutavam os universitários diretamente nos bancos escolares. Já na década de 1990 o domínio de um segundo idioma, da microinformática e a posse de um MBA eram garantia plena de uma posição de destaque. Contudo, nada disso se aplica hoje.
As grandes empresas têm diminuído o número de vagas disponíveis e são as pequenas companhias as provedoras do mercado de trabalho atual. Ainda assim, a oferta de trabalho é infinitamente inferior à demanda –e, paradoxalmente, muitas posições deixam de ser preenchidas devido à baixa qualificação dos candidatos.
Assim como todos os produtos e serviços concorrem pela preferência do consumidor, os profissionais também disputam as mesmas oportunidades. Engenheiros que gerenciam empresas, administradores que coordenam departamentos jurídicos, advogados que fazem estudos de viabilidade, economistas que se tornam gourmets. Uma autêntica dança das cadeiras que leva à insegurança os jovens em fase pré-vestibular.
Há quem defenda a tese de que adolescentes são muito imaturos para optar por uma determinada carreira. Isso me remete a reis e monarcas que com idade igual ou inferior ocupavam o trono de suas nações à frente de grandes responsabilidades, diante de uma expectativa de vida da ordem de apenas 30 anos...
O que falta aos nossos jovens é preparo. Um aparelhamento que deveria ser ministrado desde o ensino fundamental por meio de disciplinas e experiências alinhadas com a realidade, promovendo um aprendizado prazeroso e útil, despertando talentos e desenvolvendo competências. Um ensino capaz de inspirar e despertar vocações. Ensino possível, porém distante, graças à falta de infraestrutura das instituições, programas curriculares anacrônicos e, em especial, desqualificação dos professores.
Em vez disso, assistimos a estudantes com 17 anos de idade, 11 deles ou mais na escola, que às vésperas de ingressar no ensino superior sequer conseguem escolher entre psicologia e comunicação social, entre arquitetura e educação física, entre veterinária e direito.
A escola e a família devem propiciar ao aluno caminhos para o autoconhecimento e descoberta da própria personalidade e identidade. Fornecer informações qualificadas e estimular a reflexão, exercendo o mínimo de influência possível. Muitos são os que direcionam suas carreiras para atender às expectativas dos pais, aos apelos da mídia e da moda, à busca do status e do sucesso financeiro, em detrimento da autorrealização pessoal e profissional. E acabam por investir tempo e grandes somas de dinheiro numa formação que não trará retorno para si ou para a sociedade.
Orientação vocacional não se resume aos testes de aptidão e questionários. Envolve conhecer as diversas profissões na teoria e na prática. Permitir aos estudantes visitarem ambientes de trabalho e ouvirem relatos de profissionais sobre os objetivos, riscos, desafios e recompensas das diversas carreiras. Tomar contato com acertos e erros, pessoas bem sucedidas e que fracassaram. Provocar o interesse e, depois, a paixão por um ofício.
Precisamos voltar a perguntar aos nossos filhos: “O que você vai ser quando crescer?” A magia desta indagação é que dentro dela residem os sonhos e a capacidade de vislumbrar o futuro. Aliás, talvez também devamos colocar esta questão para nós mesmos, pais e educadores.
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
|
|
Tempo de Escolher
|
|
Tempo de Escolher
* por Tom Coelho
“Um homem não é grande pelo que faz,
mas pelo que renuncia.”
(Albert Schweitzer)
Muitos amigos leitores têm solicitado minha opinião acerca de qual rumo dar às suas carreiras. Alguns apreciam seu trabalho, mas não a empresa onde estão. Outros admiram a harmonia conquistada, mas não têm qualquer prazer no exercício de suas atividades. Uns recebem propostas para mudar de emprego, financeiramente desfavoráveis, porém desafiadoras. Outros têm diante de si um vasto leque de opções, muitas coisas por fazer, mas não conseguem abraçar a tudo.
Todas estas pessoas têm algo em comum: a necessidade premente de escolhas. Lembro-me de Clarice Lispector: “Entre o sim e o não, só existe um caminho: escolher”.
Acredito que quase todas as pessoas passam ao longo de sua trajetória pelo “dilema da virada”. Um momento especial em que uma decisão específica e irrevogável tem que ser tomada apenas porque a vida não pode continuar como está. Algumas pessoas passam por isso aos 15 anos, outras, aos 50. Algumas talvez nunca tomem esta decisão, e outras o façam várias vezes no decorrer de sua existência.
Fazer escolhas implica renunciar a alguns desejos para viabilizar outros. Você troca segurança por desafio, dinheiro por satisfação, o pouco certo ao muito duvidoso. Assim, uma companhia que lhe oferece estabilidade com apatia pode dar lugar a uma dotada de instabilidade com ousadia. Analogamente, a aventura de uma vida de solteiro pode ceder espaço ao conforto de um casamento.
Prazer e Vocação
Os anos ensinaram-me algumas lições. A primeira delas vem de Leonardo da Vinci que dizia: “A sabedoria da vida não está em fazer aquilo que se gosta, mas em gostar daquilo que se faz”. Sempre imaginei que fosse o contrário. Porém, refletindo, passei a compreender que quando estimamos aquilo que fazemos, podemos nos sentir completos, satisfeitos e plenos, ao passo que se apenas procurarmos fazer o que gostamos, sempre estaremos numa busca insaciável, porque o que gostamos hoje não será o mesmo que prezaremos amanhã.
Todavia, é indiscutível a importância de alinhar o prazer às nossas aptidões. Encontrar o talento que reside dentro de cada um de nós ao que chamamos vocação. Oriunda do latim vocatione, e traduzida literalmente por “chamado”, simboliza uma espécie de predestinação imanente a cada pessoa, algo revestido de certa magia e divindade. Uma voz imaginária que soa latente, capaz de converter advogados em músicos, fazer engenheiros virarem suco. É um lugar no tempo e no espaço onde a felicidade tem sua morada.
Escolhas são feitas com base em nossas preferências. E aí torno a recorrer à etimologia para descobrir que o verbo “preferir” vem do latim praeferere e significa “levar à frente”. Parece-me uma indicação clara de que nossas escolhas devem ser feitas com os olhos no futuro, no uso de nosso livre-arbítrio.
O mundo corporativo nos reserva muitas armadilhas. Trocar de empresa ou mudar de atribuição, por exemplo, são convites permanentes. O problema de recusá-los é passar o resto da vida se perguntando: “O que teria acontecido se eu tivesse aceitado?”. Prefiro não carregar comigo o benefício da dúvida. Por isso, opto por assumir riscos calculados e seguir adiante. Somos livres para escolher, porém prisioneiros das consequências.
Para aqueles insatisfeitos com seu ambiente de trabalho, uma alternativa à mudança de empresa é postular a melhoria do ambiente interno atual. Dialogar e apresentar propostas são um bom caminho. De nada adianta assumir uma postura defensiva e crítica. Lembre-se de que as pessoas não estão contra você, mas a favor delas.
Por fim, combata a mediocridade em todas as suas vertentes. A mediocridade de trabalhos desconectados com sua vocação, de empresas que não lhe valorizam, de relacionamentos falidos. Sob este aspecto, como diria Tolstoi, “Não se pode ser bom pela metade”. Meias-palavras, meias-verdades, mentiras inteiras, meio caminho para o fim.
Os gregos não escreviam obituários. Quando um homem morria, faziam uma pergunta: “Ele viveu com paixão?”.
Qual seria a resposta para você?
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
|
|
A Escolha de Sofia
|
|
A Escolha de Sofia
* por Tom Coelho
“Você faz suas escolhas
e suas escolhas fazem você.”
(Steve Beckman)
No mundo corporativo de hoje os profissionais são constantemente colocados à prova mediante dilemas que lhes são apresentados. Por exemplo, o que fazer quando a empresa exige tanto do executivo que ele tem que escolher entre a vida pessoal e a profissional?
Primeiro, vamos compreender o que é um dilema. Etimologicamente, trata-se de uma decisão entre duas alternativas contraditórias e mutuamente insatisfatórias. Você quer as duas coisas, mas só pode optar por uma. A escolha é tensa, árdua e, por vezes, dolorosa.
Em 1982, o diretor norte-americano Alan J. Pakula, à época já consagrado pelo filme “Todos os homens do presidente”, que narrava a investigação do caso Watergate, comandou Meryl Streep e Kevin Kline na obra-prima “A escolha de Sofia”. O filme contava a história de uma mãe polonesa que durante a Segunda Guerra Mundial é forçada por um soldado nazista a escolher um de seus dois filhos para ser morto sob pena de ambos serem executados –um autêntico dilema.
De volta às empresas, quem disse que carreira e vida pessoal são faces de uma mesma moeda que não pode manter-se em pé? O equilíbrio, do latim aequilibrium, remete à manutenção do mesmo nível (aequus) das balanças (libra). Em suma, conciliar vida pessoal e profissional não é uma escolha de Sofia!
É importante compreender que estes dois universos são indissociáveis, ou seja, não há como separar um do outro, acreditando que o profissional, ao adentrar os domínios da empresa, deixará do lado de fora problemas como um filho enfermo, contas atrasadas ou relacionamento conjugal em crise, dedicando-se integralmente às metas corporativas com plena produtividade.
Decerto há momentos que nos exigem esforço e dedicação superiores. Horas de trabalho que avançam pela madrugada, por dias sucessivos, regadas a fast food e breves cochilos, negligenciando a família e os interesses pessoais. Tudo para concluir um projeto, desenvolver um produto ou conquistar um novo cliente. O problema ocorre quando um evento circunstancial como este se torna rotineiro.
Se você é solteiro ou está em início de carreira, é possível que aceite de bom grado assumir o papel de workaholic imposto pela empresa –ou autoimposto. E sentir-se feliz e realizado com esta opção.
Porém, se as demandas corporativas estão além do que você gostaria, trazendo-lhe desconforto, assuma as rédeas da situação. Trabalhe com afinco durante sua jornada, aprenda a delegar tarefas operacionais e demonstre ao seu empregador que não é a quantidade de horas, mas a qualidade das horas trabalhadas o fator determinante para seu bom desempenho e o sucesso da organização.
Procure dialogar com seu superior hierárquico, determinando uma agenda positiva, capaz de atender expectativas da empresa e contemplar seus interesses pessoais.
Porém, se ficar claro que a corporação na qual você está tem perfil patológico ou é liderada por pessoas que não enxergam nada além da última linha do balanço –apesar de toda uma retórica voltada à motivação e incentivo à qualidade de vida– considere buscar uma recolocação no curto ou médio prazo.
Lembre-se de que sua escolha não deve ser entre a vida pessoal ou profissional, mas entre ser feliz ou infeliz.
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
A Escolha de Sofia
* por Tom Coelho
“Você faz suas escolhas
e suas escolhas fazem você.”
(Steve Beckman)
No mundo corporativo de hoje os profissionais são constantemente colocados à prova mediante dilemas que lhes são apresentados. Por exemplo, o que fazer quando a empresa exige tanto do executivo que ele tem que escolher entre a vida pessoal e a profissional?
Primeiro, vamos compreender o que é um dilema. Etimologicamente, trata-se de uma decisão entre duas alternativas contraditórias e mutuamente insatisfatórias. Você quer as duas coisas, mas só pode optar por uma. A escolha é tensa, árdua e, por vezes, dolorosa.
Em 1982, o diretor norte-americano Alan J. Pakula, à época já consagrado pelo filme “Todos os homens do presidente”, que narrava a investigação do caso Watergate, comandou Meryl Streep e Kevin Kline na obra-prima “A escolha de Sofia”. O filme contava a história de uma mãe polonesa que durante a Segunda Guerra Mundial é forçada por um soldado nazista a escolher um de seus dois filhos para ser morto sob pena de ambos serem executados –um autêntico dilema.
De volta às empresas, quem disse que carreira e vida pessoal são faces de uma mesma moeda que não pode manter-se em pé? O equilíbrio, do latim aequilibrium, remete à manutenção do mesmo nível (aequus) das balanças (libra). Em suma, conciliar vida pessoal e profissional não é uma escolha de Sofia!
É importante compreender que estes dois universos são indissociáveis, ou seja, não há como separar um do outro, acreditando que o profissional, ao adentrar os domínios da empresa, deixará do lado de fora problemas como um filho enfermo, contas atrasadas ou relacionamento conjugal em crise, dedicando-se integralmente às metas corporativas com plena produtividade.
Decerto há momentos que nos exigem esforço e dedicação superiores. Horas de trabalho que avançam pela madrugada, por dias sucessivos, regadas a fast food e breves cochilos, negligenciando a família e os interesses pessoais. Tudo para concluir um projeto, desenvolver um produto ou conquistar um novo cliente. O problema ocorre quando um evento circunstancial como este se torna rotineiro.
Se você é solteiro ou está em início de carreira, é possível que aceite de bom grado assumir o papel de workaholic imposto pela empresa –ou autoimposto. E sentir-se feliz e realizado com esta opção.
Porém, se as demandas corporativas estão além do que você gostaria, trazendo-lhe desconforto, assuma as rédeas da situação. Trabalhe com afinco durante sua jornada, aprenda a delegar tarefas operacionais e demonstre ao seu empregador que não é a quantidade de horas, mas a qualidade das horas trabalhadas o fator determinante para seu bom desempenho e o sucesso da organização.
Procure dialogar com seu superior hierárquico, determinando uma agenda positiva, capaz de atender expectativas da empresa e contemplar seus interesses pessoais.
Porém, se ficar claro que a corporação na qual você está tem perfil patológico ou é liderada por pessoas que não enxergam nada além da última linha do balanço –apesar de toda uma retórica voltada à motivação e incentivo à qualidade de vida– considere buscar uma recolocação no curto ou médio prazo.
Lembre-se de que sua escolha não deve ser entre a vida pessoal ou profissional, mas entre ser feliz ou infeliz.
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
|
|
Da Garagem ao Sucesso
|
|
Da Garagem ao Sucesso
* por Tom Coelho
“Existem três fases: impossível, difícil e feito.”
(Frank Crane)
O ano é 1975. A cidade é Cambridge. Dois jovens estudantes egressos de Harvard desenvolvem um sistema operacional para microcomputadores. Seus nomes são Paul Allen e William Gates, mais conhecido como Bill Gates. Anos depois fundariam uma empresa chamada Microsoft que viria, em 1981, a ser contratada pela IBM como fornecedora de software para seus computadores pessoais.
O ano agora é 1978. A cidade é Brasília. O país vive o início da abertura política com a revogação do AI-5. Ao som de Sex Pistols, Ramones e The Clash, dois jovens se conhecem e descobrem de imediato suas afinidades. Um é baterista e atende pelo nome de Felipe Lemos, ou simplesmente, Fê Lemos. O outro é baixista e guitarrista, e mais ainda, um grande compositor e vocalista. Trata-se de Renato Russo e a banda que tempos depois viria a ser formada se consagraria pelo nome de “Aborto Elétrico”.
A Microsoft tornou-se uma das empresas mais valorizadas e lucrativas. Numa época em que todos apostavam suas fichas no hardware, Gates vislumbrou a hegemonia futura do software. O serviço em lugar do produto. A inteligência acima da máquina. O Aborto Elétrico foi extinto em 1982, mas aquela banda de punk rock viria a influenciar toda uma geração de músicos brasileiros. Fê Lemos e o Capital Inicial, Renato Russo e a Legião Urbana. Da garagem para o mundo. Do mundo, para a história.
Visto sob este prisma parece que tudo aconteceu de maneira linear, harmoniosa e previsível. Da simplicidade da garagem –onde aconteciam os ensaios da banda e onde, madrugadas adentro, códigos binários eram combinados– ao sucesso há certamente uma instigante ocorrência de eventos revestidos por angústias e frustrações, alegrias e conquistas.
Escrever composições difíceis de serem ritmadas. Constituir uma banda que não será agenciada por qualquer empresário. Fazer uma fita demo que não será ouvida por qualquer gravadora. Tocar para plateias apáticas, talvez desinteressadas, talvez hostis, talvez simplesmente ausentes.
Empreender em um negócio incerto, intangível, talvez apenas um sonho que pode se transmutar em pesadelo. Enfrentar a falta de crédito e a descrença alheia. Errar, insistir, persistir, apostar. Saborear as pequenas vitórias.
A estrada para o sucesso é uma via não pavimentada. Carece também de sinalização e iluminação. Botinas nos pés, uma bússola, uma lanterna e um guarda-chuva nas mãos, são poucos aqueles dotados da capacidade de se embrenhar por um terreno árido, pisar as pedras, queimar a face no calor do sol e permanecer na mesma trilha com determinação.
Pasteur dizia que a diferença entre o possível e o impossível está na vontade humana. Que esta vontade se manifeste em você pela iniciativa, pela perseverança, pelo comprometimento e pela autoconfiança. Que seus desejos ganhem asas; seus olhos, brilho; seu rosto, sorriso. E que seus projetos se ampliem de poucos metros quadrados de uma garagem para as dimensões que o sucesso almejado demandar.
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
Política antispam: caso deseje a exclusão de seu endereço deste mailing, gentileza responder a esta mensagem com “Remover” no campo assunto.
|
|
Brasil O "EVEREST" DO FUTEBOL MUNDIAL
|
|
Brasil O "EVEREST" DO FUTEBOL MUNDIAL
Faustino Vicente *
O lugar mais alto do planeta azul é muito mais que uma imponente montanha coberta de gelo.O Everest - teto do mundo com seus 8.844,43 metros de altura - não perde o poder de atração. É o pódio reservado para uma classe especial de seres humanos - pessoas que sabem transformar dificuldades em vitórias memoráveis.
Nas imediações do pico da montanha, cada passo é uma decisão - solitária e arriscada - que exige conhecimento, coragem, experiência, determinação, autocontrole e fé inabalável na superação do maior obstáculo para o ser humano - ele próprio. O local mais ambicionado pelos amantes do alpinismo é, paradoxalmente, o mais agreste e isolado da terra.
A permanência humana nesse local só é suportável por pouco tempo, consagrando a máxima de que a chave do sucesso encontra-se na caminhada, não na chegada. Uma reflexão sobre o montanhismo pode deixar lições exemplares para todos aqueles que buscam uma carreira bem-sucedida e duradoura.
A Copa do Mundo é, sem dúvida alguma, o Everest do futebol. Este esporte tem a magia de oferecer oportunidades, para que garotos da periferia apliquem dribles sensacionais na pobreza e tornem-se cidadãos do mundo. Apesar de existirem clubes que possuem excelentes infra-estruturas, o berço natural de craques continua sendo os campinhos de terra nos bairros das cidades.
Aí, um grupo de garotos, sem camisas e descalços, corre atrás da bola e, naturalmente, de seu sonho maior - vestir a sedutora camisa da seleção de seu país. A descoberta das vantagens do marketing esportivo, pelo mundo dos negócios, levou os clubes à profissionalizarem a gestão. Planejamento estratégico, comissão técnica multidisciplinar, investimentos em infra-estrutura física e excelência em recursos humanos, são ingredientes da receita indicada à conquista de títulos.
O esporte, e a arte, são segmentos extremamente democráticos,pois dão oportunidades (iguais) para que as pessoas possam revelar e desenvolver o seu potencial. A realização da Copa do Mundo é o mais atraente evento esportivo do planeta, pois movimenta todos os segmentos da sociedade, até o religioso.
Orações de torcedores e promessas de jogadores, são práticas comuns. Atraídos pelos euros e dólares, os craques têm trocado de clubes, e até de continente, com extrema facilidade, ao mesmo tempo em que cuidam da saúde física e aprimoram-se nos fundamentos essenciais da profissão. São os atletas globais, jovens que conseguiram fazer de suas excepcionais habilidades um meio de ganhar salários de causar inveja à executivos de grandes empresas.
Adquiriram a consciência de que dependem de seu desempenho em campo e da contribuição efetiva que devem dar para a conquista de títulos para suas equipes. No esporte de alto rendimento, a avaliação de desempenho acontece, "ao vivo e a cores", pela comissão técnica, pelos profissionais da mídia e, principalmente,por aquela que contribui com os elevados saldos bancários dos jogadores - a apaixonada torcida.
Diante dessa realidade vale a pena enfatizar que cada trabalhador, independentemente da função que exerça, deve se considerar presidente da mais importante empresa do planeta - ele próprio. O capital de cada um de nós é o nosso potencial - capacitação técnica, conduta ética e as habilidades ecléticas - valores agregados que levam à concretização de nossas metas, ideais e, até de nossos sonhos. O sucesso (sustentável) de uma carreira depende da visão estratégica da atividade em que se atue. Essa percepção tem sido o passaporte para que ex-jogadores tornem-se técnicos, garotos-propaganda, comentaristas,empresários e,até incentivadores do Terceiro Setor.
Estamos convencidos que os executivos que tiverem a ousadia, e a humildade, de criar essa cultura empreendedora em suas empresas, estarão atingindo o pico do "Everest organizacional". *
Faustino Vicente - Professor, Advogado e Consultor de Empresas e de Órgãos Públicos - e-mail: faustino.vicente@uol.com.br - tel. (11) - 4586.7426 - Jundiaí (Terra da Uva) - São Paulo - Brasil
|
|
Síndrome de Deus
|
|
Síndrome de Deus
* por Tom Coelho
“Existe uma força vital curativa com a qual o médico tem de contar.
Afinal, não é o médico quem cura doenças: ele deve ser o seu intérprete.”
(Hipócrates)
Dediquei-me nas últimas semanas ao meu check-up anual. Mens sana in corpore sano. Decerto que não se trata de uma atividade lúdica nem tampouco prazerosa. Mas é agradável receber resultados de exames sentenciando que você está bem. Afinal, quem pode prescindir da saúde pública, paga um plano de assistência médica como quem compra um jazigo: espera postergar ao máximo o uso do benefício contratado.
A partir das diversas consultas efetuadas pude estabelecer um padrão de comportamento entre os profissionais que me atenderam que cunharei como “paradigmas médicos”.
O primeiro deles é de ordem educacional. Absolutamente todos, sem exceção, recebiam-me com uma indagação inaugural: “Qual seu problema?”. Houve variantes como “O que você tem de errado?”, ou então, “O que você está sentindo?”, esta última revestida de maior humanismo posto que remete a um estado emocional em vez de uma constatação objetiva.
Pode parecer curioso, mas o fato é que eles se surpreendiam quando eu argumentava que estava apenas fazendo um check-up. O cardiologista postulou que eu não tinha nada importante a fazer, o urologista supôs que eu tivesse uma vida promíscua, e o clínico-geral imaginou que eu apenas pretendia um atestado.
Quando você compra um carro ele sai da concessionária com um manual de garantia e outro de manutenção. A vigência do primeiro depende do fiel cumprimento da cartilha do segundo. O veículo tem data ou quilometragem certa para visitar a oficina onde vários itens serão verificados. Enfim, segundo o senso comum, carros podem e devem fazer revisões periódicas. Já o corpo humano...
O segundo paradigma é de ordem ambiental. Os consultórios são todos muito parecidos. Salas de espera com uma ou mais recepcionistas robotizadas. Parecem treinadas a solicitar-lhe um documento de identificação, a carteirinha do convênio médico, alguns dados pessoais para registro na anamnese, oferecendo-lhe um breve sorriso amarelo após a assinatura da guia de consulta. Nas mesas repousam revistas velhas. As paredes são, em geral, vazias e a decoração, nula.
Mas o pior encontra-se na sala privada dos médicos. Eles ficam postados atrás de suas mesas, sentados em cadeiras deslizantes e com espaldar alto similar às utilizadas por presidentes e diretores de empresas. Para o paciente, uma cadeira pequena, com encosto baixo, quase sempre desprovida de braços e rodízios. Estabelece-se ali um grau de separação. O tampo da mesa promove a separação física e a diferença de altura proporcionada pelos assentos coloca os olhos fora de alinhamento haja vista que o paciente precisa erguer seu olhar para encontrar o de seu interlocutor.
O terceiro aspecto tem caráter profissional. O tempo é a matéria-prima mais escassa que temos. E volátil. Você pode desperdiçar seu tempo, pois é sua responsabilidade fazer o que quiser com o que lhe pertence. Mas ninguém tem o direito de dispor do tempo alheio sem prévia anuência. Por isso, é inadmissível que médicos façam pacientes (clientes!) aguardarem nas insípidas salas de espera descritas acima porque atrasam no atendimento por agendarem consultas a cada vinte minutos criando um cronograma impossível de ser cumprido.
Também já é hora de emitirem receituários capazes de serem lidos por pessoas apenas alfabetizadas, sem formação acadêmica em aramaico ou conhecimento de hieróglifos.
O quarto paradigma é de ordem cultural. Grande parte dos médicos sofre da chamada Síndrome de Deus. Acreditam-se seres superiores, dotados de superpoderes, da capacidade singular de curar. Têm a presunção de litigar pela vida ou pela morte.
Senti de perto a manifestação da tal síndrome em consulta com uma dermatologista para acompanhar a herança genética que ataca meus cabelos, ou seja, minha calvície. Uma senhora de meia-idade, com títulos diversos afixados na parede e estável financeiramente –vários eram os sinais a indicarem isso–, atendeu-me com poucas palavras, evitando o diálogo. Examinou-me à distância, evitando o contato físico. Buscou a brevidade, sequiosa pelo término da consulta. Eu buscava informação e orientação. Tive que extraí-las a fórceps.
Esta experiência vivida no mundo da medicina levou-me a conclusão de que, mais uma vez, temos sérios problemas em nosso sistema educacional. Porque lá é o berço onde todos estes paradigmas nascem e são nutridos. As escolas de medicina precisam incluir administração e marketing entre suas disciplinas regulares.
Médicos são formados todos os anos para serem profissionais da saúde. Mas agem como profissionais da morte, não da vida. Começam suas carreiras como residentes nos hospitais, instituições de construção lúgubre destinadas a tratar de pessoas doentes.
É por isso que ao migrarem para os consultórios reproduzem o ambiente inóspito no qual foram preparados e passam a questionar onde está a doença. A herança maldita os impede de construir espaços mais harmoniosos e agradáveis.
Imagino o dia em que as salas privadas serão decoradas como se fossem salas de estar onde o médico atenderá o paciente como quem recebe um novo amigo para um bate-papo. Em vez de uma mesa de trabalho e duas cadeiras, sofás e uma mesa de centro para duas pessoas iguais que conversarão amistosamente. O médico recepcionará seu visitante na sala de espera –esta munida de revistas e livros para entretenimento e som ambiente– conduzindo-o até sua sala.
A conversa seguirá descontraída, informal, permitindo que o paciente sinta-se à vontade para relatar o que lhe parecer conveniente. O quadro clínico formado será muito mais completo e ensejará prescrições mais adequadas. Muitas enfermidades têm cunho eminentemente psicológico.
Um receituário será expedido com letras legíveis. O medicamento aviado será apresentado a partir de seus atributos técnicos, justificando sua escolha. A consulta transcorrerá dentro de um intervalo de tempo adequado. Sem pressa, sem arroubos.
Por fim, que os médicos, à luz dos ensinamentos de Hipócrates, tido como o “Pai da Medicina”, descubram, a despeito de tudo e com a máxima urgência, que não são deuses, mas sim, como cada um de nós, partes de Deus, ungidos com a competência de identificar, localizar, interpretar e ministrar o tratamento que poderá levar à cura. São meros instrumentos de Deus inexistindo espaço para prepotência ou arrogância. Apenas para compaixão.
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
|
|
Elas...
|
|
Elas...
* por Tom Coelho
“Não existe maneira de ser a mãe perfeita,
e há milhões de maneiras de ser uma boa mãe.”
(Jill Churchill)
São elas amarelas, brancas, negras.
Amarelas tal qual o brilho do sol,
Brancas feito a maciez da neve,
Negras como o mistério acolhedor da noite.
São elas biológicas ou adotivas.
Nas primeiras, cresce-se antes na barriga.
Em todas, cresce-se permanentemente no coração.
São elas fortes, corajosas e tolerantes.
Resignam-se diante das transformações do corpo,
Superam a ansiedade da espera,
Suportam as dores do parto.
São elas provedoras e guardiãs.
Oferecem-nos o sustento nutrido a partir do colo,
Concedem-nos a segurança reconfortante
De braços e abraços.
São elas instrutoras, professoras, educadoras.
Instruem-nos o aprendizado,
Conduzem-nos pelos caminhos,
Professam-nos sua sabedoria.
São elas advogadas, engenheiras ou arquitetas,
Domésticas, executivas ou médicas,
Defendendo nossa integridade,
Edificando nosso caráter,
Planejando nosso futuro,
Curando nossas enfermidades,
Menos do corpo, mais da alma.
São elas referência e reverência,
São elas exemplos e opiniões,
São elas a nos trazer à vida,
Embora não possam nos dar, a vida.
São elas Anas e Marias,
Rosas e Patrícias,
São elas mulheres,
Elas são...
Mães!
* Tom Coelho homenageia sua mãe Ana, in memorian, sua esposa Renata, saboreando o prazer do primeiro filho, e todas as mulheres: as que já são mães, as que ainda serão e aquelas que mesmo não pretendendo ou podendo sê-las, sempre carregarão consigo a semente da maternidade.
|
|
Atitude
|
|
Atitude
* por Tom Coelho
“A maior descoberta da minha geração é que qualquer ser humano
pode mudar de vida, mudando de atitude”.
(William James)
Um novo emprego, um novo empreendimento, um novo relacionamento. Qualquer seja seu novo projeto, apenas mediante atitudes renovadas será possível cultivar resultados diferenciados. Afinal, se você trilhar o mesmo caminho, chegará somente aos mesmos lugares.
Atitudes são constatações, favoráveis ou desfavoráveis, em relação a objetos, pessoas ou eventos. Uma atitude é formada por três componentes: cognição, afeto e comportamento.
O plano cognitivo está relacionado ao conhecimento consciente de determinado fato. O componente afetivo corresponde ao segmento emocional ou sentimental de uma atitude. Por fim, a vertente comportamental está relacionada à intenção de permitir-se de determinada maneira com relação a alguém, alguma coisa ou situação.
Para melhor compreensão, tomemos o seguinte exemplo. Algumas pessoas têm o hábito de fumar. E a pergunta que sempre se faz aos fumantes é o motivo pelo qual não declinam desta prática mesmo estando cientes de todos os malefícios à saúde cientificamente comprovados.
Analisando este fato à luz dos três componentes de uma atitude podemos atinar o que acontece. O fumante, em regra, tem plena consciência de que seu hábito é prejudicial à saúde. Ou seja, o componente cognitivo está presente. Porém, como ele não sente que esta prática esteja minando seu organismo, continua a fumar. Contudo, se um dia uma pessoa próxima morrer vitimada por um enfisema, ou ainda, o próprio fumante for internado com indícios de problemas cardíacos decorrentes do fumo, então a porta para acessar o aspecto emocional será aberta: ao sentir o mal ao qual está se sujeitando, o indivíduo decidirá agir, mudando seu comportamento, deixando de fumar.
As pessoas acham que atitude é ação. Todavia, atitude é racionalizar, sentir e externar. E não se trata de um processo exógeno. É algo interno, que deve ocorrer de dentro para fora. E entre a conscientização e a ação, é necessário estar presente o sentimento como elo. Ou você sente, ou não muda.
Atitudes, como valores, são adquiridas a partir de algumas predisposições genéticas e muita carga fenotípica, oriunda do meio em que vivemos, moldadas a partir daqueles com quem convivemos, admiramos, respeitamos e até tememos. Assim, reproduzimos muitas das atitudes de nossos pais, amigos, pessoas de nossos círculos de relacionamentos. E as atitudes são bastante voláteis, motivo pelo qual a mídia costuma influenciar as pessoas, ainda que subliminarmente, no que tange aos hábitos de consumo. Das calças boca de sino dos anos 1970 aos óculos do filme Matrix na virada do século, modas são criadas a todo instante.
Atitudes devem estar alinhadas com a coerência, ou acabam gerando novos comportamentos. Tendemos a buscar racionalidade em tudo o que fazemos. É por isso que muitas vezes mudamos o que dizemos ou buscamos argumentar até o limite para justificar uma determinada postura. É um processo intrínseco. Sem coerência, não haverá paz em nossa consciência e buscaremos um estado de equilíbrio que poderá passar pelo autoengano ou pela dissonância cognitiva.
Se você está em fase de transição –e normalmente estamos, sem nos aperceber disso –aceite o convite para refletir sobre suas atitudes. E corra o risco de ter ideias criativas e inovadoras, além de livrar-se das antigas.
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
|
|
Liderança e Poder
|
|
Liderança e Poder
* por Tom Coelho
“O poder, em si, não constitui uma garantia moral:
o poderoso pode ter a espada na mão, mas nem por isso é dono do bem.”
(Contardo Calligaris)
A liderança é uma competência de caráter relacional, isto é, pressupõe uma relação entre duas ou mais pessoas fundamentada no exercício da influência. A regra é despertar o desejo, o interesse e o entusiasmo no outro a fim de que adote comportamentos ou cumpra tarefas. Além de relacional, a liderança também pode ser situacional, ou seja, determinada pelas circunstâncias.
O poder é o exercício da liderança. Em verdade, inexiste isoladamente, pois o que encontramos são relações de poder. Assim, é notório que se questione: como o poder é exercido por um líder?
Muitos são os estudos acerca dos tipos, bases e fontes de poder. Mencionamos, por exemplo, LIKERT e LIKERT (1979), KRAUSZ (1991), SALAZAR (1998) e ROBBINS (2002), mas ressaltando que todos beberam de alguma forma nos escritos de FRENCH e RAVEN (1959).
Fazendo uma compilação destes estudos, identificamos as seguintes formas de poder:
1. Poder por coerção. Baseia-se na exploração do medo. O líder demonstra que poderá punir o subordinado que não cooperar com suas decisões ou que adotar uma postura de confronto ou indolência. As sanções podem ser desde a delegação de tarefas indesejáveis, passando pela supressão de privilégios, até a obstrução do desenvolvimento do profissional dentro da organização. Pode ser exercido por meio de ameaças verbais ou não verbais, mas devido ao risco de as atitudes do líder serem qualificadas como assédio moral, o mais comum é retaliar o empregado, afastando-o de reuniões e eventos importantes, avaliando seu desempenho desfavoravelmente ou simplesmente demitindo-o.
2. Poder por recompensa. Baseia-se na exploração de interesses. A natureza humana é individualista e, quase sempre, ambiciosa. Ao propor incentivos, prêmios e favores, o líder eleva o comprometimento da equipe, fazendo-a trabalhar mesmo sem supervisão. A recompensa pode ser pecuniária, ou seja, em dinheiro, ou mediante reconhecimento e felicitações públicas. O risco de se usar este expediente como principal artifício para exercício do poder é vincular a motivação das pessoas e sua eficiência a algum tipo de retorno palpável e de curto prazo, inclusive enfraquecendo a autoridade do líder.
3. Poder por competência. Baseia-se no respeito. O líder demonstra possuir conhecimentos e habilidades adequados ao cargo que ocupa, além de atitudes dignas e assertivas. Os subordinados reconhecem esta competência e a respeitam veladamente. Um exemplo fora do mundo corporativo é a aceitação de uma prescrição médica, porque respeitamos o título do médico e seguimos seu receituário mesmo sem conhecer o profissional previamente ou o princípio ativo do medicamento.
4. Poder por legitimidade. Baseia-se na hierarquia. A posição organizacional confere ao líder maior poder quanto mais elevada sua colocação no organograma. É uma autoridade legal e tradicionalmente aceita, porém não necessariamente respeitada. Um exemplo típico é o poder que emana do “filho do dono” que pode ser questionado, embora raramente contestado, se sua inexperiência for evidenciada.
5. Poder por informação. Baseia-se no conhecimento. O líder, por deter a posse ou o acesso a dados e informações privilegiadas, exerce poder sobre pessoas que necessitam destas informações para realizar seus trabalhos. Note-se que o mero acesso a informações valiosas é suficiente para conferir poder a estas pessoas. É o caso das secretárias de altos executivos.
6. Poder por persuasão. Baseia-se na capacidade de sedução. O líder usa de argumentos racionais e/ou emocionais para envolver e convencer seus interlocutores da necessidade ou conveniência de realizarem certas tarefas, aceitarem decisões ou acreditarem em determinados projetos. Trabalha com base em aspectos comportamentais buscando ora inspirar, ora dissuadir os subordinados, de acordo com os objetivos pretendidos.
7. Poder por ligação. Baseia-se em relações. O líder apropria-se de sua rede de relacionamentos para alcançar favores ou evitar desfavores de pessoas influentes. Em tempos de desenvolvimento das chamadas redes sociais, ampliar e usar relações interpessoais constitui vantagem comparativa significativa.
8. Poder por carisma. Baseia-se na exploração da admiração. O líder adota um estilo envolvente, enérgico e positivo e alcança a obediência porque seus liderados simplesmente gostariam de ser como ele. As pessoas imitam-no, copiam-no, admiram-no com a finalidade de identificação.
Dentre todas as categorias apresentadas, não devemos idealizar uma forma de poder específica. Não há certo ou errado. Há o adequado. Em verdade, o mais indicado é que um líder saiba como, onde e quando exercer seu poder de acordo com o perfil dos subordinados, das circunstâncias e de seus objetivos. Assim, o poder carismático ou por recompensa podem proporcionar maior adesão e atração por suas ideias, da mesma maneira que o poder legítimo ou por coerção podem acarretar resistência por parte dos subordinados.
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
|
|
Cinco Passos para uma Meta
|
|
Cinco Passos para uma Meta
* por Tom Coelho
“A fórmula da minha felicidade:
um sim, um não, uma linha reta, um objetivo.”
(Friedrich Nietzsche)
Você decide ir ao cinema. Sai de casa e, quando percebe, imerso em seus pensamentos, está fazendo o caminho convencional para ir ao trabalho –que, por sinal, é diametralmente oposto. Depois de enfrentar um belo trânsito, acerta o passo e chega ao shopping. Vasculha os três pisos de estacionamento para obter uma vaga. Logo mais, encontra uma agradável fila para comprar os ingressos. Na boca do caixa descobre que a sessão está esgotada. A próxima, somente em duas horas e quinze minutos.
Impossível? Improvável? Com você não? Pense bem antes de responder. Se você ainda não passou pelo ciclo completo descrito acima, uma boa parte dele já lhe visitou em um final de semana destes. O mal é o mesmo que afeta a profissionais e empresas no mundo corporativo: a ausência de metas definidas.
Vamos partir de um pressuposto. Você sabe o que quer, para onde deseja ir. Se estiver em uma companhia que não lhe agrada, buscará outra. Se estiver disponível, sabe qual o perfil de vaga lhe interessa. Se estiver satisfeito em sua posição atual, almeja alcançar um cargo mais elevado.
Uma meta, qualquer seja ela, só pode ser assim conceituada quando traçada segundo cinco variáveis. A primeira delas é a especificidade. Seu objetivo deve ser muito bem definido. Assim, é inútil declamar aos quatro cantos do mundo: “Quero trabalhar na multinacional ABC Ltda.”. Desculpe-me pela franqueza, mas acho que você não será contratado a menos que pense: “Vou trabalhar como gerente comercial, na divisão alfa, da companhia ABC Ltda., atuando na coordenação e desenvolvimento de equipes de vendas para a região sul”. Em outras palavras, quanto mais específica for a definição de seu propósito, mais direcionado estará seu caminho.
A segunda variável é a mensurabilidade. Sua meta deve ser quantificável, tornando-se objetiva, palpável. Em nosso exemplo anterior, você teria que definir, por exemplo, a faixa de remuneração desejada. Outra situação bem ilustrativa desta variável é a aquisição de bens materiais. “Pretendo comprar um carro”, é um desejo. “Vou comprar um veículo da marca XYZ, modelo beta, com motor 2.0, dotado dos seguintes opcionais (relacioná-los) e com valor estimado de R$ 30.000,00”, é uma quase-meta.
A próxima variável é a exequibilidade. Uma meta tem que ser alcançável, possível, viável. Voltando ao exemplo inicial, o objetivo de integrar o quadro da companhia ABC como gerente comercial não será alcançável se você tiver uma formação acadêmica deficiente, experiência profissional incompatível com o perfil do cargo e dificuldades de relacionamento interpessoal.
Chegamos à relevância. A meta tem que ser importante, significativa, desafiadora. Você decide como meta anual elevar o faturamento de seu departamento em 5% acima da inflação. Entretanto, seu mercado está aquecido e este foi o índice definido –e atingido– nos últimos dois anos. Logo, é preciso ousadia e coragem para determinar um percentual superior a este, capaz de motivar a equipe em busca do resultado. Lembre-se de que o bom não é bom onde o ótimo é esperado.
Finalmente, o aspecto mais negligenciado: o tempo. Muitas metas são bem específicas, mensuráveis, possíveis e importantes, porém não definidas em um horizonte de tempo. Aquela oportunidade de negócio tem que ser concretizada até uma data limite. Determinada reunião deve ocorrer entre oito e nove horas. Certo filme no cinema sairá de cartaz na sexta-feira próxima.
Por isso, evite procrastinar, nome feio dado à mania de adiar compromissos. Este pode ser um golpe fatal em qualquer meta proposta.
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
|
|
No Limiar da Inovação
|
|
No Limiar da Inovação
* por Tom Coelho
“Você pode e deve ser um líder em inovação,
porque se não for, alguém certamente o será.”
(Joel Barker)
O mundo corporativo é um grande funil. Milhões de companhias em busca do sucesso disputando espaço no coração, na mente e no bolso dos consumidores. Em meio a produtos e serviços similares, empresas claudicantes e clientes infiéis, sobrevivem e se destacam aquelas capazes de se reinventar e construir seu próprio futuro. Estamos falando de empresas inovadoras.
Uma inovação é o resultado da associação de dois ou mais fatores que podem ou não guardar aderência entre si, mas que geram um terceiro fator identificado como novo. O renomado futurólogo Joel Barker, em seu mais recente vídeo intitulado “No Limiar da Inovação”, distribuído com exclusividade no Brasil pela Siamar, vai além.
Barker apresenta o conceito de limiar da inovação, um lugar onde algo e algo diferente se encontram. Podemos reduzir isso em outra palavra: convergência. A combinação de ideias, de produtos, de serviços, de estratégias. Um movimento interdisciplinar, reunindo conhecimentos variados; multidisciplinar, agrupando diferentes disciplinas; e transdisciplinar, congregando teoria e prática. Vejamos alguns exemplos.
1. Sacola para presente. Mais de 100 anos após a invenção das sacolas de papel e 60 anos da criação dos papéis de embrulho decorados, estes dois produtos relativamente simples se uniram para gerar as sacolas para presente. Uma solução inteligente e diferenciada de embalagem demonstrando que a inovação está ao nosso redor.
2. Hotelaria hospitalar. Como amenizar o desconforto de um paciente internado, privado de suas atividades cotidianas, da companhia de seus familiares e da liberdade de sentir a brisa ou o calor do sol? As redes de hotéis de luxo têm ensinado aos administradores hospitalares que a estadia deve ser agradável; a alimentação, saborosa; e o atendimento, impecável.
3. Velcro. A invenção do engenheiro suiço George de Mestral surgiu de sua observação dos carrapichos, nome popular das sementes de arctium, que grudavam em sua roupa e nos pelos de seu cão em suas caminhadas pelos Alpes. Analisando ao microscópio, Mestral notou que a estrutura dos filamentos formava pequenos ganchos nas extremidades que se prendiam às argolas formadas pelos fios do tecido das roupas. Assim nasceu o velcro, do francês velours (veludo) e crochet (gancho), um produto composto de dois materiais sintéticos que reproduzem o mecanismo de junção de um gancho a uma argola.
A inovação no limiar desta invenção veio da Alemanha, onde engenheiros da Universidade de Munique desenvolveram um velcro de aço com capacidade para suportar até 35 toneladas por metro quadrado em ambientes com temperaturas de até 800ºC.
4. Transporte aéreo de passageiros. Este é um serviço que poderia ser qualificado como venda de “economia de tempo”. De fato, as pessoas usam aviões porque pretendem chegar mais rapidamente ao seu destino. Contudo, a sistemática atual exige que um passageiro esteja no aeroporto com cerca de uma hora de antecedência, enfrentando filas terríveis para fazer o check-in e despachar a bagagem. E, no desembarque, perca novamente muito tempo para restituir seus pertences.
Embora todas as companhias aéreas, sem exceção, não tenham esta perspectiva –e, exatamente por isso, estejam perdendo mercado para os trens de alta velocidade– alguém inovou no limiar inspirando-se possivelmente nos bancos para permitir a realização do check-in via terminais de autoatendimento ou on line, pela internet.
5. Outdoor. A peça de mídia exterior é convencionalmente formada por colagem de folhas impressas sobre placas de madeira ou metal. Em 2003, a agência Saatchi & Saatchi inovou no limiar com um anúncio para a Audi, exposto na Dinamarca.
O outdoor aparentava ser, em princípio, uma placa única de metal, lisa e sem qualquer imagem ou inscrição. Todavia, com o passar dos dias, o clima úmido foi enferrujando a superfície, tornando visível a silhueta do veículo, a logomarca da empresa e a frase “All Aluminium Audi A2”. Ou seja, o aço, por oxidar de forma muito mais agressiva que o alumínio, demonstrava o diferencial do novo veículo.
Só para registrar, o trabalho recebeu dois prêmios: Leão de Ouro, no Festival de Cannes, e o Lápis de Ouro, no One Show.
6. Delivery. O serviço de entrega em domicílio revolucionou boa parte do varejo, integrando o DNA de operações como pizzarias e drogarias. A inovação no limiar estendeu o mesmo princípio aos supermercados, trazendo conforto e praticidade a um grupo especial de consumidores.
7. Montanha robótica. A empresa alemã Kuka Robotics fabrica robôs como o Titan 1000, capaz de levantar uma tonelada e mover-se com precisão para qualquer direção num raio de nove metros e a uma altura de até cinco metros. Este mesmo robô foi adaptado para parques de diversão em Londres e no Canadá criando uma espécie de montanha russa compacta proporcionando aos usuários uma experiência diferenciada e aos investidores um ótimo retorno sobre o investimento.
8. Car sharing. Imagine ter acesso a veículos diversos, espalhados por vários pontos da cidade, pagando uma diária ou valor fixo por hora, com combustível, seguro e manutenção incluídos. Assim funciona o sistema de compartilhamento de veículos criado na Suíça em 1988 e já disponível em mais de mil cidades no mundo. A inovação no limiar deriva de sistema similar aplicado a casas de veraneio, barcos e até mesmo bolsas de grife.
9. Eleições. A vitória de Barack Obama deve muito à internet e às redes sociais. Da arrecadação de recursos à convocação de voluntários, passando pela divulgação da campanha e formação da opinião pública. Uma inovação no limiar no jeito de fazer política, integrando o mundo online ao offline.
10. Celulares e internet. Com os celulares, temos a convergência aplicada ao limite. Eles batem foto, gravam vídeos, enviam mensagens de texto, permitem ouvir rádio, músicas, acessar a internet, registrar compromissos, jogar e... até falar!
Já a internet marca o tipo de inovação que podemos qualificar como superlimiar. Da máquina de escrever aos processadores de texto, da fotografia ao Photoshop, das pranchetas ao AutoCAD. E as evoluções dentro do próprio meio: do site para os blogs, do ICQ para o MSN, do e-mail para o Twitter.
O mundo corporativo passa por crises constantes. Nestes momentos, é comum políticas de caça às bruxas e cortes nos orçamentos suspenderem programas voltados à inovação, desperdiçando grande oportunidade de se estabelecer diferenciais competitivos duradouros.
O século passado foi dominado pelos EUA. Mais ainda, ficou marcado por dividir o mundo entre nações ricas e pobres. Pode-se inferir que este será o século da Europa, com o fortalecimento do euro. Ou talvez da China, com suas taxas galopantes de crescimento econômico. Eu acredito que este período marcará uma nova divisão, desta vez entre as nações que sabem e as que não sabem. E a vanguarda estará nas mãos das pessoas, empresas e nações capazes de inovar no limiar.
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
No Limiar da Inovação
* por Tom Coelho
“Você pode e deve ser um líder em inovação,
porque se não for, alguém certamente o será.”
(Joel Barker)
O mundo corporativo é um grande funil. Milhões de companhias em busca do sucesso disputando espaço no coração, na mente e no bolso dos consumidores. Em meio a produtos e serviços similares, empresas claudicantes e clientes infiéis, sobrevivem e se destacam aquelas capazes de se reinventar e construir seu próprio futuro. Estamos falando de empresas inovadoras.
Uma inovação é o resultado da associação de dois ou mais fatores que podem ou não guardar aderência entre si, mas que geram um terceiro fator identificado como novo. O renomado futurólogo Joel Barker, em seu mais recente vídeo intitulado “No Limiar da Inovação”, distribuído com exclusividade no Brasil pela Siamar, vai além.
Barker apresenta o conceito de limiar da inovação, um lugar onde algo e algo diferente se encontram. Podemos reduzir isso em outra palavra: convergência. A combinação de ideias, de produtos, de serviços, de estratégias. Um movimento interdisciplinar, reunindo conhecimentos variados; multidisciplinar, agrupando diferentes disciplinas; e transdisciplinar, congregando teoria e prática. Vejamos alguns exemplos.
1. Sacola para presente. Mais de 100 anos após a invenção das sacolas de papel e 60 anos da criação dos papéis de embrulho decorados, estes dois produtos relativamente simples se uniram para gerar as sacolas para presente. Uma solução inteligente e diferenciada de embalagem demonstrando que a inovação está ao nosso redor.
2. Hotelaria hospitalar. Como amenizar o desconforto de um paciente internado, privado de suas atividades cotidianas, da companhia de seus familiares e da liberdade de sentir a brisa ou o calor do sol? As redes de hotéis de luxo têm ensinado aos administradores hospitalares que a estadia deve ser agradável; a alimentação, saborosa; e o atendimento, impecável.
3. Velcro. A invenção do engenheiro suiço George de Mestral surgiu de sua observação dos carrapichos, nome popular das sementes de arctium, que grudavam em sua roupa e nos pelos de seu cão em suas caminhadas pelos Alpes. Analisando ao microscópio, Mestral notou que a estrutura dos filamentos formava pequenos ganchos nas extremidades que se prendiam às argolas formadas pelos fios do tecido das roupas. Assim nasceu o velcro, do francês velours (veludo) e crochet (gancho), um produto composto de dois materiais sintéticos que reproduzem o mecanismo de junção de um gancho a uma argola.
A inovação no limiar desta invenção veio da Alemanha, onde engenheiros da Universidade de Munique desenvolveram um velcro de aço com capacidade para suportar até 35 toneladas por metro quadrado em ambientes com temperaturas de até 800ºC.
4. Transporte aéreo de passageiros. Este é um serviço que poderia ser qualificado como venda de “economia de tempo”. De fato, as pessoas usam aviões porque pretendem chegar mais rapidamente ao seu destino. Contudo, a sistemática atual exige que um passageiro esteja no aeroporto com cerca de uma hora de antecedência, enfrentando filas terríveis para fazer o check-in e despachar a bagagem. E, no desembarque, perca novamente muito tempo para restituir seus pertences.
Embora todas as companhias aéreas, sem exceção, não tenham esta perspectiva –e, exatamente por isso, estejam perdendo mercado para os trens de alta velocidade– alguém inovou no limiar inspirando-se possivelmente nos bancos para permitir a realização do check-in via terminais de autoatendimento ou on line, pela internet.
5. Outdoor. A peça de mídia exterior é convencionalmente formada por colagem de folhas impressas sobre placas de madeira ou metal. Em 2003, a agência Saatchi & Saatchi inovou no limiar com um anúncio para a Audi, exposto na Dinamarca.
O outdoor aparentava ser, em princípio, uma placa única de metal, lisa e sem qualquer imagem ou inscrição. Todavia, com o passar dos dias, o clima úmido foi enferrujando a superfície, tornando visível a silhueta do veículo, a logomarca da empresa e a frase “All Aluminium Audi A2”. Ou seja, o aço, por oxidar de forma muito mais agressiva que o alumínio, demonstrava o diferencial do novo veículo.
Só para registrar, o trabalho recebeu dois prêmios: Leão de Ouro, no Festival de Cannes, e o Lápis de Ouro, no One Show.
6. Delivery. O serviço de entrega em domicílio revolucionou boa parte do varejo, integrando o DNA de operações como pizzarias e drogarias. A inovação no limiar estendeu o mesmo princípio aos supermercados, trazendo conforto e praticidade a um grupo especial de consumidores.
7. Montanha robótica. A empresa alemã Kuka Robotics fabrica robôs como o Titan 1000, capaz de levantar uma tonelada e mover-se com precisão para qualquer direção num raio de nove metros e a uma altura de até cinco metros. Este mesmo robô foi adaptado para parques de diversão em Londres e no Canadá criando uma espécie de montanha russa compacta proporcionando aos usuários uma experiência diferenciada e aos investidores um ótimo retorno sobre o investimento.
8. Car sharing. Imagine ter acesso a veículos diversos, espalhados por vários pontos da cidade, pagando uma diária ou valor fixo por hora, com combustível, seguro e manutenção incluídos. Assim funciona o sistema de compartilhamento de veículos criado na Suíça em 1988 e já disponível em mais de mil cidades no mundo. A inovação no limiar deriva de sistema similar aplicado a casas de veraneio, barcos e até mesmo bolsas de grife.
9. Eleições. A vitória de Barack Obama deve muito à internet e às redes sociais. Da arrecadação de recursos à convocação de voluntários, passando pela divulgação da campanha e formação da opinião pública. Uma inovação no limiar no jeito de fazer política, integrando o mundo online ao offline.
10. Celulares e internet. Com os celulares, temos a convergência aplicada ao limite. Eles batem foto, gravam vídeos, enviam mensagens de texto, permitem ouvir rádio, músicas, acessar a internet, registrar compromissos, jogar e... até falar!
Já a internet marca o tipo de inovação que podemos qualificar como superlimiar. Da máquina de escrever aos processadores de texto, da fotografia ao Photoshop, das pranchetas ao AutoCAD. E as evoluções dentro do próprio meio: do site para os blogs, do ICQ para o MSN, do e-mail para o Twitter.
O mundo corporativo passa por crises constantes. Nestes momentos, é comum políticas de caça às bruxas e cortes nos orçamentos suspenderem programas voltados à inovação, desperdiçando grande oportunidade de se estabelecer diferenciais competitivos duradouros.
O século passado foi dominado pelos EUA. Mais ainda, ficou marcado por dividir o mundo entre nações ricas e pobres. Pode-se inferir que este será o século da Europa, com o fortalecimento do euro. Ou talvez da China, com suas taxas galopantes de crescimento econômico. Eu acredito que este período marcará uma nova divisão, desta vez entre as nações que sabem e as que não sabem. E a vanguarda estará nas mãos das pessoas, empresas e nações capazes de inovar no limiar.
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
|
|
O Sexto Homem
|
|
O Sexto Homem
* por Tom Coelho
“Se não puder se destacar pelo talento,
vença pelo esforço.”
(Dave Weinbaum)
Leandro Barbosa, ou apenas Leandrinho, é um dos brasileiros a brilhar na liga norte-americana de basquetebol, a NBA. O armador foi eleito o melhor sexto jogador da temporada 2006/2007 e o segundo melhor na temporada 2007/2008. Eu disse “sexto jogador”. Isso significa que ele é um dos melhores reservas do mundo. Inicia os jogos no banco, sendo chamado a participar no decorrer das partidas quando entra e resolve: muitos pontos convertidos e ótimas assistências realizadas.
O arqueiro do São Paulo, Rogério Ceni, era apenas o terceiro goleiro do Sinop Futebol Clube nos idos de 1990. Durante o campeonato estadual, o goleiro titular e o primeiro reserva ficaram lesionados. Ceni assumiu a posição e já na partida inaugural defendeu um pênalti. Sua equipe sagrou-se campeã naquele ano e logo depois ele principiaria uma carreira vitoriosa em sua atual equipe.
Os dois exemplos relatados demonstram que não ser o primeiro pode ser uma condição apenas temporária. E a lição é perfeitamente aplicável ao mundo corporativo.
A maioria dos profissionais que inicia uma carreira almeja alcançar o topo da pirâmide com a maior velocidade possível. Subir na hierarquia, acumulando dinheiro, poder e realizações. Mas sendo este é o desejo de muitos é evidente que o funil de oportunidades é rigoroso. Poucos têm êxito. E mesmo os bem-sucedidos descobrem com rapidez que mais difícil do que chegar ao cume é permanecer por lá.
Se você está no banco de reservas, o que simbolicamente equivale a integrar o segundo ou terceiro escalão em sua empresa, aproveite o momento para preparar sua ascensão futura.
1. Aprenda. Enquanto subalterno, seguramente você está vinculado a atividades operacionais. Em lugar de reclamar desta condição, aproveite para aprender tudo sobre o seu trabalho –e sobre o trabalho dos outros. Lembre-se de que os fundamentos são essenciais. Não se pode calcular uma integral de uma função sem compreender as quatro operações matemáticas básicas.
2. Observe. Como você é pouco notado, pode transitar livremente pela companhia e compreender sua estrutura de poder. Pesquise e observe quem é quem, como funcionam as relações interpessoais. Olhos abertos e boca fechada. Não é por acaso que ascensoristas e office-boys são tão bem informados.
3. Melhore. Pratique o kaizen, ou seja, o aprimoramento contínuo. Exercite suas habilidades, eleve sua destreza no exercício das tarefas. Faça mais com menos. Gaste menos tempo executando para sobrar mais tempo para pensar e planejar. Assim você começará a se destacar.
4. Conheça. Procure estabelecer relações interpessoais verdadeiras. Neste estágio você será avaliado por seus pares pelo que você de fato é e não pela posição que ocupa. E poderá construir uma teia de amizades que lhe dará suporte quando estiver lá em cima. Seja solícito com todos, mas evite entrar em “panelas”!
5. Prepare-se. Se trabalhar com afinco, esteja certo: sua hora chegará. Por isso, aproveite o distanciamento que sua posição atual lhe confere para lapidar suas competências. Projete a “pessoa ideal”, aquela que vislumbra ser, e planeje sua escalada.
No decorrer deste processo, você poderá atirar no que viu e acertar no que não viu. Talvez opte por mudar de empresa. Talvez decida, por exemplo, redirecionar sua carreira para a forma consultiva ao invés de executiva. Alguns atletas descobrem que jamais serão craques, mas podem ser ótimos técnicos. Ou que podem ser apenas o sexto homem e ainda assim fazer toda a diferença.
* Tom Coelho é educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 15 países. É autor de “Sete Vidas – Lições para construir seu equilíbrio pessoal e profissional”, pela Editora Saraiva, e coautor de outros quatro livros. Contatos através do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.
|
|
|
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
Próximo
|
|
|